Brincar é tão bom e faz tão bem que seria muito tonto não brincarmos o mais possível. Já estamos a ouvir uma voz que diz: “Ah, mas a vida não é só brincar!”. “Pois não”, respondemos nós, “mas brincar é um assunto muito sério.” “Quem o diz?”, volta a perguntar, desconfiada, a tal voz. “Quem o diz são as pessoas que sabem o que nos faz crescer bem e felizes.” “Estás a brincar?” “Agora não estou, mas vou estar😀.” “Posso ir contigo?” “Nem brinques, claro que sim! Já estou a calçar os sapatos para sair.”
Então… Fizemos este mapa para ajudar todas as pessoas, sejam grandes ou pequenas, a encontrar os melhores lugares para brincar. É claro que para brincar não é preciso um cenário especial nem é preciso complicar muito. Por isso, sugerimos que vejas este mapa como um jogo que te vai ajudar a preparar as brincadeiras com que mais sonhas nos diferentes momentos — e que vai também, de certeza, dar-te ideias e muita vontade de brincar. Para explorares o mapa, podes escolher o tipo de brincadeira ou o tipo de espaço que procuras. Por exemplo, "correr sozinho e sem obstáculos” (tipo de brincadeira) ou “Espaços públicos ou privados” (tipo de espaço). Depois é só ires até lá e… isso! Brincar, claro.
Outras dicas para explorares do mapa: — Para ampliares o mapa, clica uma vez no município que queres escolher (se clicares duas vezes, amplias duas vezes; se clicares uma terceira vez, diminuis a ampliação). — Se quiseres passar para outro concelho vizinho ou voltar para o mapa geral, basta clicares fora da zona do município. — Ao escolheres o tipo de espaço, move a bolinha para a esquerda ou para a direita para decidires melhor o que pretendes.
No seguimento da elaboração do “Manifesto pelo Direito a Brincar”, proclamado no Encontro da AMRS “O Tempo de Brincar é o Tempo de Crescer”, realizado em 2021, a “Associação de Municípios da Região de Setúbal e os seus municípios associados, (..) conscientes da necessidade de proporcionar uma proteção especial às crianças, tal como adotado na Convenção Internacional dos Direitos da Criança, (..) decidiram desenvolver um conjunto de ações com vista à valorização do seu desenvolvimento integral, que se pretende pleno e harmonioso, num ambiente de felicidade, amor e compreensão”(AMRS, Manifesto pelo Direito a Brincar, 2021).
Assim nasceu a ideia de mapear os lugares de brincar na região de Setúbal, assumindo a identificação destes lugares, e de muitos outros a percecionar ou criar, como espaços públicos de apropriação pelas crianças e contributo para o “desenvolvimento integral da criança, para que o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística, saia das páginas da Convenção dos Direitos da Criança para a Vida” (AMRS, Manifesto pelo Direito a Brincar, 2021).
Porque “Brincar é a principal forma de expressão da criança, é a forma que tem de participar, de se expressar, de processar os acontecimentos da sua vida, de criar autoestima, capacidade de se defender, de arriscar, de descobrir; num momento em que as tecnologias de informação e comunicação dominam de forma avassaladora os tempos de brincadeira, importa também estimular o brincar através do movimento e do corpo, com os objetos e com os elementos naturais que a rodeiam” (AMRS, Manifesto pelo Direito a Brincar, 2021), assim o recurso a um instrumento digital para potenciar a descoberta pela criança do espaço público para brincar assume uma particular relevância.
Este projeto pretende valorizar os espaços formais e informais de brincadeira e dessa forma valorizar os recursos e o trabalho desenvolvido neste âmbito na Região.
Este é o primeiro mapa do brincar em Portugal! Tem um duplo objetivo:
— Assumir o Brincar como ferramenta determinante para reforçar o sentido de comunidade e gerar maior interação social;
— Afirmar o Brincar como forma de descobrir e conhecer um território e sobretudo as gentes que o habitam.
O desenvolvimento deste “Mapa do Brincar de Lugares Conhecidos e a Descobrir” foi um trabalho conjunto e amplamente participado. Resultou do contributo de mais de 2300 crianças e jovens da região na construção de tipologias de brincadeiras, e da participação e colaboração permanente do Grupo Intermunicipal da Educação na identificação dos lugares de brincar.
Deixámos de brincar na “rua” e isso é um sinal de dupla perda:
— Perda de qualidade dos espaços públicos nas nossas cidades;
— Perda de qualidade de vida das nossas crianças… brincar na “rua” é divertido e central para a construção de uma sociedade mais empática e mais humana!
O espaço urbano contemporâneo tornou-se disperso, fragmentado e dependente do automóvel, criando uma sociedade hipermóvel que ocupa o território de forma extensiva. No entanto, o consequente aumento dos movimentos diários não significou um acesso mais justo à cidade: os cidadãos não motorizados, sobretudo as crianças, têm perdido autonomia apesar de tantos avanços tecnológicos.
Perante o crescente custo energético, as preocupações ambientais, o aumento do congestionamento, e dinâmicas sociodemográficas sem precedentes (marcadas pelo isolamento e pelo envelhecimento), verifica-se que começam agora a surgir sinais de uma nova política urbana organizada em torno de uma mudança de paradigma no desenho do espaço público.
Atualmente tem-se afirmado uma política urbana que tem como objetivo central a promoção de estratégias capazes de devolver a cidade às pessoas, começando pelas crianças. O brincar e a ludicidade emergem assim como peça chave no processo de requalificação do espaço urbano. Ações experimentais, sobretudo de carácter efémero, têm revelado o poder do brincar enquanto ferramenta para criar melhores lugares, promover a interação social, reforçar o sentido de comunidade e combater o isolamento e a exclusão.
Tem-se afirmado uma política urbana que tem como objetivo central a promoção de estratégias capazes de devolver a cidade às pessoas, começando pelas crianças. O brincar e a ludicidade emergem assim como peça chave no processo de requalificação do espaço urbano. Ações experimentais, sobretudo de carácter efémero, têm revelado o poder do brincar enquanto ferramenta para criar melhores lugares, promover a interação social, reforçar o sentido de comunidade e combater o isolamento e a exclusão.
A segregação de funções (própria das intervenções urbanas do século XX) tem dado lugar à partilha e à coexistência enquanto solução capaz de assegurar uma maior humanização do espaço urbano, sobretudo nas áreas centrais. Procura-se reduzir o impacto do tráfego motorizado de forma a viabilizar a criação e a construção de locais capazes de promover mais encontros e maior interação social.
É neste contexto que surge o “Mapa do Brincar de Lugares Conhecidos e a Descobrir” enquanto resposta e projeto que pretende precisamente afirmar e dar palco à geografia de alguns dos mais relevantes espaços de brincar na região da AMRS.
coordenação AMRS — Associação de Municípios da Região de Setúbal, Vanessa Silva, Grupo Intermunicipal de Educação
coordenação e conceção geral Frederico Moura e Sá
conceção e desenvolvimento web João Neves
conceção de conteúdos e componente gráfica do projeto Isabel Minhós Martins e Yara Kono (Planeta Tangerina)
ilustração Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina)
design gráfico Angelina Velosa (Planeta Tangerina)